Pages

28 de nov. de 2010

Incansáveis olhos, incontáveis rastros.

Sabe, há algum tempo venho querendo desabar. Quando as oportunidades esperadas chegam, devemos agarrar. E as que tanto esperei, não chegaram. E mesmo assim, sem tirar nem pôr. Várias vezes agarrei-as. Como uma criança abraçando seu brinquedo preferido. Sem sequer perguntar a esse agente tão passivo se o mesmo quer permanecer ali espremidinho sobre seu peito. Porquanto também seria tolice ou apenas ingenuidade tê-lo perguntado. Prefiro a ingenuidade, é mais doce e mais pura. Primeiramente então levantei-me.
E desde então tenho me levantado constantemente pra te ver, e por tantas vezes não encontrar você. Ainda busco te ver. Sensatos desencontros. Outro dia esperei-te naquela mesma varanda amarela, e até tarde meus esperançosos olhos congelaram vigorosamente buscando e encontrando cada um de teus rastros deixados num passado tão remoto e irremovível. Cada rastro rebocando cada passo, cada frase, cada suspiro, doce amor. Anoiteceu e esse foi só mais um de uma seqüência incontável de enganosos alarmes. Não sabes que tua sombra ainda permanece ali. Todavia já fugi até de mim para encontrar controle próprio. E poder ordenar aos meus olhos - tão involuntários - que não procurem mais. Pois assim como a lua foge do sol, um e outra já se foram. E assim também te fores. Porém insistem eles em se alimentar dos rastros inapreciáveis. Insistem em acompanhar-te como o girassol inclina-se somente para o sol e ignora todo o resto. Permanecem assim fervorosamente congelados. E ambos pairavam sobre o dia, e ambos pairavam sobre o seu tecto, pairavam dentro da minha varanda. Que luxo seria tê-los sob controle. Todavia não era ainda o que eu queria. Quanta hipocrisia seria se eu dissesse que poderia esperar eternamente por não só teus rastros como a ti mesmo sob meus olhos. Se eu dissesse que jamais cansaria de afugentar todo esse amor. Seria tanta, quanta hipocrisia. Mesmo sem precisares te dou e te darei minha verdade. E é tal que cansei de falsos alarmes, confesso... cansei! Mas nem por isso vou deixar de me levantar. Me levantei e levantarei todas as vezes que preciso for. Esperançosamente, fervorosamente, irrevogavelmente levantarei e jamais desistirei dos teus rastros.
Mas sabe, venho querendo mesmo desabar..

Nenhum comentário: